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Reflexões e vivências sobre envelhecimento e envelhecer


Reflexões e vivências sobre envelhecimento e envelhecer

Summary

A prática foi desenvolvida na disciplina “Envelhecimento Populacional/Demográfico e Desenvolvimento”, ofertada pelo Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional (PPGDR) da UTFPR – Campus Pato Branco, consistiu em estudos sobre o envelhecimento, seminários e visitas online durante o primeiro semestre de 2021. A atividade teve como objetivo promover uma reflexão crítica e interdisciplinar sobre o envelhecimento, enfatizando as dimensões sociais, políticas e culturais do processo de envelhecer.
Os seminários foram organizados por equipes de estudantes que convidaram conferencistas nacionais e internacionais, além de pessoas idosas, para compartilhar suas experiências e visões sobre o tema. As diferentes modalidades de apresentação — mesas redondas, rodas de conversa e painéis — favoreceram a escuta ativa e o diálogo entre os participantes, ampliando a compreensão sobre o envelhecimento enquanto fenômeno demográfico e social.
A iniciativa alcançou um público médio de 80 participantes por evento, totalizando cerca de 640 pessoas diretamente envolvidas. A participação das pessoas idosas foi fundamental para trazer vivências reais e desconstruir estigmas associados à velhice.
A prática contribuiu para o fortalecimento do conhecimento acadêmico e para a sensibilização social, promovendo o protagonismo das pessoas idosas e estimulando o debate sobre os desafios e oportunidades do envelhecimento. A metodologia adotada, em formato remoto devido à pandemia de COVID-19, mostrou-se eficaz para ampliar o alcance e engajamento da comunidade.

Website: https://www.utfpr.edu.br/cursos/coordenacoes/stricto-sensu/ppgdr-pb/area-academica/disciplinas-ofertadas-1/disciplinas-ofertadas

Key facts

Main target group: Both younger and older people (i.e. intergenerational)

Other target group(s): velhices negras

Sector(s): Social protection

Other sector(s): Sáude, trabalho, educação.

Desired outcome for older people:
Contribute

Other issues the Age-friendly practice aims to address:
  • Ageism
  • Accessibility
  • Ageing in place
  • Elder abuse
  • Healthy behaviours (e.g. physical activity)
  • Intergenerational activities
  • Inequities
  • Inclusion
  • Participation
  • Technologies

Contact details

Name: Bernartt, Maria de Lourdes

Email address: marial@utfpr.edu.br

Preferred language(s): Português. Espanhol. Inglês.

Age-friendly practice in detail (click to expand):

Engaging the wider community

Project lead: Research institution

Others involved in the project:
  • Civil Society Organisation
  • Older People’s Association
  • Volunteers
  • Research institution

How collaboration worked: Colaboração na Prática Amigável com Pessoas Idosas: Gestão e Financiamento Forma de Colaboração A prática foi concebida e coordenada pela docente responsável, Maria de Lourdes Bernartt, e estruturada de forma colaborativa, interdisciplinar e participativa. A colaboração ocorreu entre universidades, organismos internacionais, órgãos públicos, parlamentares, conselhos, profissionais e — de maneira fundamental — pessoas idosas. Papel das Universidades e Instituições Parceiras Universidades (UTFPR e demais IES) forneceram suporte institucional, professores convidados, discentes, e estrutura para organização de eventos. Convidados nacionais e internacionais participaram como conferencistas, fortalecendo a troca de saberes. Pessoas idosas participaram como protagonistas: conferencistas, debatedores, autores de relatos e mediadores — desconstruindo estigmas e promovendo a escuta ativa. Gestão Participativa A organização dos seminários e atividades foi realizada por equipes de estudantes da pós-graduação, que tinham autonomia para: Escolher os temas Convidar conferencistas Planejar o formato das atividades (mesas redondas, painéis, rodas de conversa) A gestão docente atuou como orientadora, garantindo coerência metodológica, integridade pedagógica e apoio logístico. As reuniões de planejamento coletivo foram essenciais para a construção compartilhada da prática. Financiamento A prática foi desenvolvida com baixo custo financeiro direto, valendo-se de: Recursos humanos voluntários (professores, estudantes, idosos participantes) Parcerias institucionais (que cederam tempo, espaço virtual, divulgação e materiais) Infraestrutura da universidade (plataformas online, salas virtuais, e-mail institucional, suporte técnico) Não houve captação de financiamento externo específico, mas o trabalho se baseou em: Redes colaborativas já consolidadas com organizações como a OPAS/OMS, o MMFDH, secretarias estaduais e municipais, conselhos de direitos e universidades latino-americanas. Utilização de apoios não monetários, como divulgação por redes de parceiros e presença voluntária de especialistas. Participação Ativa As pessoas idosas participaram ativamente em todas as etapas: No planejamento (sugestão de temas) Na execução (como conferencistas e debatedores) Na produção de material (relatos, contribuições em e-book) Essa participação contribuiu para: Maior legitimidade social Ampliação do alcance das ações Fortalecimento da abordagem intergeracional e da justiça geracional Avaliação e Impacto A avaliação foi feita de forma contínua, por: Autoavaliação discentes Registros sistematizados Feedback qualitativo espontâneo de participantes (idosos, conferencistas e estudantes) Impactos observados: Aproximação entre teoria e prática Ampliação do repertório crítico sobre o envelhecimento Inclusão digital e engajamento social de idosos durante a pandemia Geração de um e-book com relatos, reflexões e sínteses dos eventos Compartilhamento Internacional A prática foi reconhecida e autorizada para publicação no site Age-friendly World da Organização Mundial da Saúde, como uma boa prática voltada para comunidades e cidades amigas das pessoas idosas. Lições Aprendidas e Projeções Futuras Lições: Escuta sensível e valorização das experiências de vida são fundamentais. Planejamento coletivo com coautoria estudantil é enriquecedor. O formato remoto é desafiador, mas pode ser altamente inclusivo. Desafios enfrentados: Garantir acessibilidade digital às pessoas idosas. Mediar convites e participações com cuidado e respeito. Futuro: Expansão para novas turmas com oficinas intergeracionais presenciais e online. Ampliação da escuta e do protagonismo de idosos na formulação de políticas públicas.

Older people’s involvement: Older people were involved in the age-friendly practice at multiple or all stages

Details on older people’s involvement: 1. As pessoas idosas tiveram um papel central e ativo na prática, participando como conferencistas, debatedores, autores de relatos e mediadores nas atividades, compartilhando suas vivências e saberes com estudantes, docentes e especialistas. 2. Sua presença contribuiu para desconstruir estigmas associados ao envelhecimento, fortalecer o diálogo intergeracional e promover uma escuta sensível e transformadora, valorizando o protagonismo da pessoa idosa no espaço acadêmico e social.

Moving forward

Has the impact of this age-friendly practice been analysed: No

Do you plan to evaluate your age-friendly practice? Yes

Feedback:
Sim, recebemos diversos feedbacks do grupo-alvo, especialmente das próprias pessoas idosas participantes. De forma geral, os comentários foram muito positivos, destacando a escuta respeitosa, o espaço de fala oferecido, o reconhecimento de seus saberes e a valorização de suas trajetórias. Muitos idosos expressaram emoção e satisfação por serem convidados como protagonistas, e não apenas como ouvintes, relatando se sentirem incluídos, respeitados e visibilizados. Também recebemos sugestões construtivas, como a importância de mais acessibilidade digital (uso de plataformas mais simples e apoio técnico individualizado) e a necessidade de garantir tempo adequado para suas falas, evitando sobrecarga de conteúdos em um único encontro. Essas observações foram fundamentais para aperfeiçoar a prática, reafirmando nosso compromisso com o protagonismo e a escuta ativa das pessoas idosas.

Expansion plans:
Sim, a expansão da prática está nos planos e já vem sendo consolidada por meio de ações estratégicas. Entre elas, destaca-se a participação ativa da docente responsável como membro do Comitê Gestor do Programa Cidade Amiga da Pessoa Idosa em Pato Branco (PR/Brasil), o que tem fortalecido o vínculo entre universidade, gestão pública e comunidade, permitindo que os resultados da prática influenciem diretamente políticas e ações locais voltadas ao envelhecimento. Outra iniciativa em curso é a criação do Observatório Paranaense de Envelhecimento Saudável, com o objetivo de monitorar, sistematizar e divulgar dados, práticas e experiências inovadoras sobre o envelhecimento no estado do Paraná, promovendo o diálogo entre pesquisa, políticas públicas e demandas sociais. Além disso, a prática está sendo articulada com o recém-criado NAPI – Envelhecimento Saudável (Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação), que reúne pesquisadores de diferentes instituições e áreas do conhecimento para desenvolver soluções integradas e interdisciplinares para os desafios do envelhecimento populacional. Também está em andamento a expansão da iniciativa para novas turmas do Programa de Pós-Graduação, com oficinas intergeracionais, escutas comunitárias e maior integração com os conselhos de direitos da pessoa idosa. A produção de materiais formativos e acessíveis (como vídeos, podcasts e e-books colaborativos) continuará sendo uma estratégia para ampliar a visibilidade das pessoas idosas como sujeitos ativos e produtores de saberes. Essa trajetória de expansão visa consolidar a universidade como espaço de formação crítica, diálogo intergeracional e incidência política, comprometida com a promoção do envelhecimento digno, saudável e participativo.

Looking back

Reflections:
Desde 2021, a prática tem se repetido de forma contínua, consolidando-se como um espaço importante de diálogo e aprendizado mútuo. Essa experiência reafirmou a necessidade de escutar atentamente as vozes e os silêncios das pessoas idosas, reconhecendo que o envelhecimento é um processo marcado por desigualdades, invisibilidades, mas também por resistência e saberes valiosos. Junto com os alunos, venho aprofundando a reflexão sobre as interseccionalidades que permeiam o envelhecimento, como raça, classe, gênero e território, buscando incluir esses recortes tanto na seleção dos convidados quanto na escolha dos temas. É fundamental que a diversidade das experiências de envelhecimento seja reconhecida e analisada com maior profundidade e sensibilidade. Se tivesse a oportunidade de repetir a prática de 2021, dedicaria mais tempo à preparação dos idosos participantes, oferecendo suporte individualizado para o uso das plataformas digitais e promovendo rodas de conversa preparatórias para acolher dúvidas, expectativas e possíveis ansiedades. Além disso, aprendi que a participação das pessoas idosas deve ser efetiva e estrutural, não apenas simbólica, influenciando todas as etapas da prática — da concepção à avaliação. Também compreendi que o tempo dedicado à escuta e à convivência é parte essencial do processo, e não apenas um meio para alcançar resultados específicos. Por fim, reforço a convicção de que, ao se abrir para o diálogo intergeracional e para o território, a universidade exerce um papel social transformador, contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa, plural e comprometida com a justiça geracional.

Challenges:
Essa experiência reafirmou a importância de escutar com atenção as vozes e os silêncios das pessoas idosas, compreendendo que o envelhecimento é um processo profundamente marcado por desigualdades, invisibilidades e também por resistências e sabedorias. Se eu pudesse repetir essa prática, dedicaria ainda mais tempo à preparação prévia com os idosos convidados, oferecendo suporte técnico individualizado para uso das plataformas digitais e promovendo rodas de conversa preparatórias, a fim de acolher dúvidas, ansiedades e expectativas. Além disso, percebo que poderia ter me aprofundado mais em questões interseccionais — como raça, classe, gênero e território — no recorte dos convidados e dos temas abordados. A diversidade das experiências de envelhecimento precisa ser reconhecida e refletida com mais ênfase. Tornei-me mais consciente de que a participação das pessoas idosas não deve ser apenas simbólica, mas estrutural, influenciando a concepção, execução e avaliação das práticas. Aprendi, também, que o tempo da escuta e da convivência é parte essencial do método, e não um simples meio para alcançar resultados. Por fim, reforço a convicção de que a universidade, quando se abre à escuta intergeracional e territorial, cumpre seu papel social de forma transformadora, contribuindo para a justiça geracional e para a construção de um envelhecimento mais digno e plural.