Entrevista motivacional para melhorar resultados de jovens portadores de HIV

Jessica, 13, participates in a support group for HIV-positive adolescents at a municipal hospital, Brazil.
UNICEF/Versiani

Entrevista motivacional para melhorar resultados de jovens portadores de HIV

Resultados da revisão: A Entrevista Motivacional é uma ferramenta de comunicação que ajuda pacientes motivarem-se a fazer mudanças com base em um comportamento positivo. Descrita pela primeira vez em 1990 para o aconselhamento sobre abuso de drogas, tem sido proposta para mudar outros comportamentos nocivos à saúde. Esta revisão visou avaliar a efetividade da Entrevista Motivacional para melhorar os resultados de jovens que vivem com HIV. Dois ensaios (237 pacientes) foram incluídos nesta revisão. Ambos os estudos, de qualidade moderada, foram conduzidos nos EUA e compararam a Entrevista Motivacional com cuidados padrão. Não foi feita meta-análise devido à insuficiência de informações. Estatisticamente, os dois estudos mostraram redução significativa da carga viral e do número de relações sexuais desprotegidas. Um dos autores descreveu menor consumo de álcool no grupo de intervenção. Nenhum dos ensaios abordou adesão ao tratamento, qualidade de vida e mortalidade. No entanto, estes resultados devem ser vistos com cautela devido ao limite dos dados analisados.

Implementação: Esta revisão sugere que a Entrevista Motivacional pode ajudar jovens vivendo com HIV a reduzir a carga viral a curto prazo, a prática de relações sexuais desprotegidas, e o consumo de álcool.


Revisão Cochrane

Citação: Mbuagbaw L, Ye C, Thabane L. Motivational interviewing for improving outcomes in youth living with HIV Cochrane Database of Systematic Reviews 2012, Issue 9. Art. No.: CD009748. DOI: 10.1002/14651858.CD009748.pub2.

Resumo

Quase metade de todas as novas infecções pelo HIV ocorrem durante a juventude. A Entrevista Motivacional (EM) é uma técnica de aconselhamento efetiva para a promoção de mudanças de comportamentos saudáveis na população em geral. Não está claro se a EM pode ser usada para melhorar desfechos em jovens vivendo com HIV.

Determinar se a EM é efetiva em melhorar desfechos em jovens vivendo com HIV.

Foi usada uma estratégia sensível e exaustiva em uma tentativa de identificar todos os estudos relevantes, desconsiderando o idioma da publicação, em bases de dados eletrônicos (PUBMED, Central de Registros de Ensaios Clínicos da Cochrane, EMBASE, LILACS, CINAHL, PsycINFO), anais de conferências e bancos de dados especializados, de janeiro de 1980 até março de 2012.

Foram incluídos ensaios clínicos randomizados (ECRs) dentro dos quais jovens (com idade entre 10 e 24 anos) vivendo com HIV receberam EM, isoladamente ou em combinação com outra intervenção, em comparação com quaisquer outras intervenções, que informassem os desfechos de interesse (adesão à medicação, mortalidade, qualidade de vida, carga viral, contagem de linfócitos T CD4 positivos, progressão para AIDS, adesão ao acompanhamento, abuso de drogas e uso de preservativos). Todos os cenários foram considerados.

Foram identificadas 863 referências. Dois autores examinaram, independentemente, os títulos e resumos de todos os ensaios clínicos identificados, dos quais 28 artigos completos foram rigorosamente selecionados para elegibilidade, baseando-se em critérios estabelecidos a priori. Os estudos incluídos foram avaliados quanto à qualidade em duplicata. Os dados foram extraídos por meio de um formulário pré-testado e padronizado. Não foram realizadas meta-análises.

Dois ensaios clínicos realizados nos Estados Unidos, relatados em quatro artigos, preencheram nossos critérios de inclusão. Eles incluíram um total de 237 participantes e compararam a entrevista motivacional, isoladamente, com o atendimento padrão. Nenhum destes ensaios clínicos relataram dados sobre adesão às medicações contra o HIV, mortalidade ou qualidade de vida. Ambos os ensaios clínicos relataram reduções de carga viral (a curto prazo) e de relações sexuais desprotegidas. Uma redução no uso de álcool foi identificada apenas em um dos dois estudos que relataram este desfecho. Um ensaio clínico relatou dados sobre a adesão ao acompanhamento, a qual não foi afetada pela intervenção.

Há evidências de qualidade moderada de dois ensaios clínicos que sugere que a EM é efetiva sobre a redução da carga viral em curto prazo e de relações sexuais desprotegidas. Há evidências de qualidade moderada, proveniente de um ensaio clínico, de que a EM é efetiva na redução do uso de bebidas alcoólicas. São necessários mais ensaios clínicos que relatem outros desfechos, como adesão à medicação, mortalidade e qualidade de vida em jovens.