Uso de tocolíticos para ruptura prematura de membranas pré-termo

Uso de tocolíticos para ruptura prematura de membranas pré-termo

Resumo RHL

Resultados da revisão: O objetivo desta revisão foi tratar dos benefícios da tocólise em mulheres com ruptura prematura de membranas pré-termo (RPMPT) entre 23 semanas e 36 semanas e seis dias. Oito estudos (408 mulheres) foram incluídos nesta revisão, da seguinte forma: sete compararam tocólise com não tocólise (quatro estudos avaliaram ritodrina, um estudo avaliou a combinação de ritodrina e magnésio, um estudo comparou ritodrina, terbutalina e magnésio, e um estudo usou indometacina); um estudo comparou dois tocolíticos (nifedipina à terbutalina). Apesar da tocólise ter sido associada a maior latência e menor número de nascimentos em 48 horas, também foi associada a maior número de recém-nascidos com Apgar de 5 minutos menor do que sete, e aumento do uso de ventilação em neonatos. Um importante aumento do risco de corioamnionite foi encontrado em mulheres com RPMPT antes de 34 semanas,que receberam tocólise versus não tocólise, em estudos pequenos e de qualidade não-adequada. Os estudos incluídos não administraram antibióticos e corticosteroides de forma consistente. Não foram observadas diferenças nos resultados maternos e neonatais quando comparados inibidores da cox versus não tocólise, bloqueadores dos canais de cálcio versus betamiméticos, antibióticos, corticosteroides, ou combinação de antibióticos/corticosteroides.

Implementação: Devido ao aumento do número de mulheres com corioamnionites e ausência de melhora nos resultados neonatais, não há evidências para apoiar a terapia tocolítica. Entretanto, os estudos incluídos nesta revisão não usaram antibióticos e corticosteroide de rotina, o que atualmente é considerado cuidado padrão nos casos de ruptura prematura de membranas.


Revisão Cochrane

Citação: Mackeen AD, Seibel-Seamon J, Muhammad J, Baxter JK, BerghellaV. Tocolytics for preterm premature rupture of membranes.Cochrane Database of Systematic Reviews 2014, Issue 2. Art. No.: CD007062. DOI: 10.1002/14651858.CD007062.pub3.

Resumo

Em mulheres com trabalho de parto pré-termo, a inibição das contrações uterinas por meio de tocólise não tem demonstrado melhoras em mortalidade perinatal; no entanto, é comumente realizada durante 48 horas para permitir que os corticosteroides tenham efeito sobre a maturação fetal. Em mulheres com rotura prematura de membranas pré-termo (RPMPT), o uso de tocólise ainda é controverso. Em teoria, tocólise pode prolongar a gestação de mulheres com RPMPT, permitindo assim o benefício dos corticoesteroides e reduzindo morbidade e mortalidade associadas à prematuridade.

Avaliar os potenciais benefícios e danos da tocólise em mulheres com rotura prematura de membranas pré-termo.

Foram pesquisados os Registros de Ensaios do Grupo Cochrane de Gravidez e Parto (15 de janeiro de 2014).

Foram incluídas mulheres gestantes com feto único e RPMPT (entre 23 e 36 semanas e seis dias). Foram incluídos quaisquer terapias tocolíticas em comparação com ausência de tocólise, ou outro tocolítico.

Todos os autores da revisão avaliaram os ensaios para inclusão. Os dados foram extraídos e os dados tiveram sua qualidade avaliada.

Foram incluídos oito estudos com um total de 408 mulheres. Sete estudos compararam tocólise com ausência de tocólise. Um estudo comparou nifedipina com terbutalina. Em comparação com ausência de tocólise, tocólise não foi associada com efeito significativo sobre mortalidade perinatal em mulheres com RPMPT (risco relativo (RR) 1,97; 95% de intervalo de confiança (IC) 0,85 a 3,29). A tocólise foi associada com latência mais duradoura (diferença média (DM) 73,12 horas; 95% IC 20,21 a 126,03; três ensaios com 198 mulheres), e com menor número de nascimentos dentro de 48 horas (RR médio 0,55; 95% IC 0,32 a 0,95; seis ensaios com 354 mulheres; efeitos aleatórios, Tau² = 0,18; I² = 43%), em comparação com ausência de tocólise. No entanto, a tocólise foi associada com aumento de escore Apgar menor que sete aos cinco minutos (RR 6,05; 95% IC 1,65 a 22,23; dois ensaios com 160 mulheres), e com aumento da necessidade de ventilação do neonato (RR 2,46; 95% IC 1,14 a 5,34; um ensaio com 81 mulheres). Na análise de subgrupo comparando betamimético com ausência de betamiméticos, a tocólise foi associada com aumento na latência e significância estatística limítrofe para corioamnionite. Tocólise profilática com RPMPT foi associada com aumento geral da latência, sem benefícios adicionais para desfechos maternos/neonatais. Para mulheres com RPMPT antes de 34 semanas, houve um aumento significativo do risco de corioamnionite em mulheres que receberam tocólise. No entanto, os resultados neonatais não foram significativamente diferentes. Não houve diferenças significativas nos resultados maternos/neonatais na análise de subgrupo comparando inibidores da cox versus ausência de tocolítcos, bloqueadores de canais de cálcio versus betamiméticos, antibióticos, corticosteroides ou combinação de antibióticos/corticosteroides.

Nossa revisão sugere que as evidências não são suficientes para apoiar terapia tocolítica para mulheres com RPMPT, dado que há um aumento de corioamnionite materno sem benefícios significativos para a criança. No entanto, os estudos não administraram de forma consistente os antibióticos durante o período de latência e os corticoesteroides, os quais, atualmente, são considerados cuidado padrão.