Antibióticos para ruptura de membranas pré-termo

Bottles of antibiotics

Antibióticos para ruptura de membranas pré-termo

Resultados principais

A revisão avaliou os efeitos da administração de antibióticos para mulheres com rotura de membranas pré-termo (RPMP) antes de 37 semanas, sobre a morbidade e mortalidade materna e neonatal, e o desenvolvimento infantil.

O uso de antibióticos seguidos da RPMP foi associado com:

  • Redução significativa no número de bebês nascidos dentre 48 horas e sete dias de administração da infecção neonatal, uso de surfactante, oxigenioterapia e escaneamento ultrassônico cerebral anormal antes da alta hospitalar
  • Nenhuma redução significativa em mortalidade perinatal, nascimento antes de 37 semanas, cesárea, síndrome do desconforto respiratório, enterocolite necrosante
  • Nenhuma evidência de benefício a longo prazo para o desenvolvimento infantil
  • Redução estatisticamente significativa de corioamnionite
  • Nenhum caso de morte materna nos três ensaios que reportaram este desfecho

Evidências incluídas nesta revisão

Vinte e dois ensaios envolvendo 6872 mulheres e bebês foram incluídos nesta revisão. Os ensaios variaram nas características das participantes, tipo de antibióticos administrados (penicilinas de espectro amplo, eritromicina, clindamicina e gentamicina) e modo e duração da administração do antibiótico (oral, parenteral; de duas doses até o parto). A maioria eram ensaios pequenos comparando o uso de qualquer antibiótico versus placebo, exceto um ensaio que randomizou 4826 participantes.

Avaliação de qualidade

Os ensaios incluídos foram avaliados como tendo risco de viés baixo ou incerto. Houve heterogeneidade devido à variabilidade das características das participantes e dos tipos de antibióticos e regimes de administração. Todos os oito ensaios descreveram método de randomização e todos, exceto seis, tiveram controle placebo e ocultação da intervenção.

Implicações clínicas

Administrar antibióticos em mulheres com RPMP reduziu o risco de corioamnionite e morbidade neonatal, e foi associado com a prolongação de curto prazo da gestação. Não houve benefício claro a longo prazo e nenhuma redução em morte perinatal. Nenhuma conclusão pode ser feita sobre o tipo e regime do melhor antibiótico a ser usado, mas, até que novas evidências estejam disponíveis e com base nos resultados de um grande ensaio incluído na revisão, o uso de co-amoxiclav (amoxicilina e ácido clavulânico) deve ser desencorajado devido ao risco aumentado de enterocolite necrosante neonatal.

Pesquisas futuras

A revisão destaca a necessidade de futuros ensaios comparativos. Ensaios futuros devem ter tamanho adequado e qualidade para elucidar sobre efeitos de longo prazo e avaliar o melhor agente antibiótico para RPMP.


Revisão Cochrane

Citação: Kenyon S, Boulvain M, Neilson JP. Antibiotics for preterm rupture of membranes. Cochrane Database of Systematic Reviews 2013, Issue 12. Art. No.: CD001058. DOI: 10.1002/14651858.CD001058.pub3.

Resumo

O nascimento prematuro acarreta morbidade e mortalidade neonatal importantes. Infecção subclínica está associada com ruptura pré-termo de membranas (RPMP). Profilaxia materna com antibioticoterapia pode diminuir morbidade infecciosa e postergar o trabalho de parto, mas pode suprimir o trabalho de parto sem tratar da infecção subjacente.

Avaliar os efeitos imediatos e em longo prazo da administração de antibióticos em mulheres com RPMP antes das 37 semanas, sobre morbidade infecciosa materna, morbidade e mortalidade neonatal, e desenvolvimento infantil em longo prazo.

Foram pesquisados os registros de ensaios do Grupo Cochrane de Gravidez e Parto (30 de setembro de 2013).

Ensaios clínicos randomizados comparando administração de antibióticos com placebo que reportaram desfechos clínicos relevantes dado que havia ensaios com diferentes antibióticos. Ensaios nos quais placebo foi utilizado, foram incluídos para o desfecho isolado de mortalidade perinatal.

Os dados foram extraídos de cada relatório de pesquisa sem a ocultação dos resultados ou dos tratamentos recebidos pelas mulheres. Foram pesquisados dados não publicados de um determinado número de autores.

Foram incluídos 22 ensaios, envolvendo 6872 mulheres e bebês.

O uso de antibióticos após a RPMP está associado com redução estatisticamente significativa de corioamnionite (risco relativo médio (RR) 0.66, 95% intervalo de confiança (IC) 0.46 a 0.96), e redução dos números de bebês nascidos dentre 48 horas (RR médio 0.71, 95% IC 0.58 a 0.87) e sete dias de randomização (RR médio 0.79, 95% IC 0.71 a 0.89). Foram reduzidos os seguintes marcadores de morbidade neonatal: infecção neonatal (RR 0.67, 95% IC 0.52 a 0.85), uso de surfactante (RR 0.83, 95% IC 0.72 a 0.96), oxigenioterapia (RR 0.88, 95% IC 0.81 a 0.96), e escaneamento ultrassônico cerebral anormal antes da alta hospitalar (RR 0.81, 95% IC 0.68 a 0.98). Co-amoxiclav (amoxicilina e ácido clavulânico) foi associado com risco aumentado de enterocolite necrosante neonatal (RR 4.72, 95% IC 1.57 a 14.23).

Um estudo avaliou a saúde infantil aos sete anos de idade (Pesquisa ORACLE Children) e encontrou que os antibióticos parecem ter pouco efeito sobre a saúde infantil.

Prescrição rotineira de antibióticos para mulheres com ruptura de membranas pré-termo está associada com prolongação da gestação e melhoras em algumas das morbidades neonatal em curto prazo, mas sem redução significativa de mortalidade perinatal. Apesar da ausência de evidências sobre benefícios em logo prazo na infância, as vantagens sobre morbidades em curto prazo validam a recomendação da prescrição rotineira de antibióticos. A escolha do antibiótico não está clara, mas o co-amoxiclav deve ser evitado devido ao risco aumentado de enterocolite necrosante neonatal.

Este resumo RHL deve ser citado como: WHO Reproductive Health Library. Antibiotics for preterm rupture of membranes: RHL summary (last revised 11 May 2016). The WHO Reproductive Health Library; Geneva: World Health Organization.