Amnioinfusão para ruptura prematura de membranas pré-termo no terceiro trimestre

Female doctor talking to pregnant woman sitting on bed in hospital
Photo: Global Health Project

Amnioinfusão para ruptura prematura de membranas pré-termo no terceiro trimestre

Resultados principais

Esta revisão avaliou os efeitos da amnioinfusão transabdominal ou transcervical para ruptura prematura de membranas pré-termo (RPMPT) em comparação com nenhuma amnioinfusão sobre as morbidades e mortalidades materna e perinatal.

  • Amnioinfusão transabdominal reduziu morte neonatal, infecção neonatal e hipoplasia pulmonar
  • Amnioinfusão transabdominal reduz sepse puerperal e probabilidade de dar à luz dentro de sete dias após a rotura de membranas
  • Amnioinfusão transabdominal não teve influência sobre o peso ao nascer, idade gestacional no nascimento, admissão em unidade neonatal de cuidado intensivo e complicações neurológicas
  • Amnioinfusão transcervical reduziu desacelerações variáveis persistentes durante o trabalho de parto e melhorou o pH da artéria umbilical fetal no nascimento
  • Amnioinfusão transcervical não teve influência sobre as taxas de cesárea, escore de Apgar baixos, morte neonatal ou morbidade infecciosa

Evidências incluídas nesta revisão

Cinco estudos foram incluídos nesta revisão, mas apenas quatro contribuíram com dados para a análise, envolvendo 241 mulheres com RPMPT entre 24 e 36 semanas de gestação. Três estudos compararam amnioinfusão transcervical com nenhum amnioinfusão, enquanto os outros dois estudos compararam amnioinfusão transabdominal com nenhuma amnioinfusão.

Avaliação de qualidade

Pela abordagem GRADE, os estudos incluídos tiveram qualidade moderada para morte neonatal, sepse neonatal e sepse materna puerperal. A qualidade das evidências para hipoplasia pulmonar neonatal foi baixa. Todos os estudos eram ensaios clínicos randomizados.

Implicações clínicas

Apesar dos resultados positivos desta revisão, a maior parte dos dados foram obtidos de um estudo. O pequeno número de ensaios e participantes limitou as conclusões para orientar a prática clínica relativa à aplicação de amnioinfusão para RPMPT.

Pesquisas futuras

Esta revisão ficou limitada pela inclusão de estudos com tamanho de amostras pequenas. Ensaios maiores são necessários para verificar os efeitos observados nesta revisão. Adicionalmente, sequelas neurológicas e desenvolvimento neonatal requerem avaliação por estudos com seguimentos de longo prazo. Ensaios futuros poderiam investigar intervenções de amnioinfusão específicas por idade gestacional.


Revisão Cochrane

Citação: Hofmeyr GJ, Eke AC, Lawrie TA. Amnioinfusion for third trimester preterm premature rupture of membranes. Cochrane Database of Systematic Reviews 2014, Issue 3. Art. No.: CD000942. DOI: 10.1002/14651858.CD000942.pub3.

Resumo

Ruptura prematura de membranas pré-termo (RPMPT) é uma das principais causas de morbidade e mortalidade perinatal. A amnioinfusão tem objetivo de restabelecer o volume de líquido amniótico pela infusão da solução dentro da cavidade uterina.

O objetivo desta revisão foi avaliar os efeitos da amnioinfusão para RPMPT sobre as morbidades e mortalidades materna e perinatal.

Foram pesquisados os registros de ensaios do Grupo Cochrane de Gravidez e Parto (02 de dezembro de 2013).

Foram incluídos ensaios randomizados que compararam a realização ou não da amnioinfusão em mulheres com RPMPT.

Três autores da revisão avaliaram os ensaios de forma independente para inclusão. Dois autores da revisão, de forma independente, avaliaram a qualidade dos ensaios e fizeram a extração dos dados. Os dados foram checados para acurácia.

Foram incluídos cinco ensaios, de qualidade moderada, mas foram analisados os dados de apenas quatro dos estudos (com total de 241 participantes). Um ensaio não contribuiu com dados para a revisão.

Amnioinfusão transcervical melhorou o pH da artéria umbilical fetal no nascimento (diferença média 0.11; 95% de intervalo de confiança (IC) 0.08 a 0.14; um ensaio, 61 participantes) e reduziu as desacelerações variáveis persistentes durante o trabalho de parto (risco relativo (RR) 0.52; 95% IC 0.30 a 0.91; um ensaio, 86 participantes).

Amnioinfusão transabdominal foi associada com uma redução na mortalidade neonatal (RR 0.30; 95% IC 0.14 a 0.66; dois ensaios, 94 participantes), sepse neonatal (RR 0.26; 95% IC 0.11 a 0.61; um ensaio, 60 participantes), hipoplasia pulmonar (RR 0.22; 95% IC 0.06 a 0.88; um ensaio, 34 participantes) e sepse puerperal (RR 0.20; 95% IC 0.05 a 0.84; um ensaio, 60 participantes). Mulheres no grupo de amnioinfusão também estiveram menos propensas a ter o parto dentro de sete dias após a rotura de membranas (RR 0.18; 95% IC 0.05 a 0.70; um ensaio, 34 participantes). Estes resultados devem ser tratados com prudência já que os achados positivos derivam principalmente de um estudo com ocultação da alocação incerta.

Estes resultados são encorajadores, mas estão limitados por dados escassos e de consistência metodológica incerta, assim evidências futuras são necessárias para que a amnioinfusão para RPMPT possa ser recomendada para a prática clínica rotineira.

Este resumo RHL deve ser citado como: WHO Reproductive Health Library. Amnioinfusion for third trimester preterm premature rupture of membranes: RHL summary (last revised 23 May 2016). The WHO Reproductive Health Library; Geneva: World Health Organization.