Misoprostol oral para indução de trabalho de parto

Misoprostol oral para indução de trabalho de parto

Resumo RHL

Resultados principais

Esta revisão comparou misoprostol oral com outros agentes indutores, incluindo: ocitocina endovenosa, dinoprostona vaginal, misoprostol sublingual, prostaglandina intracervical e placebo ou ausência de tratamento. Os principais resultados são:

  • Mulheres que receberam misoprostol oral tiveram maiores taxas de parto dentro de 24 horas em comparação com placebo ou ausência de tratamento, sem alteração de desfechos perinatais.
  • Em comparação com ausência de tratamento, misoprostol oral foi associado com taxas menores de administração de ocitocina e admissão do recém-nascido em unidade de cuidado/tratamento intensivos.
  • Misoprostol oral foi associado com menores taxas de cesárea em comparação com ocitocina endovenosa, dinoprostona vaginal e placebo ou ausência de tratamento.
  • Misoprostol oral foi associado com maiores taxas de hiperestimulação uterina em comparação com prostaglandina intracervical.
  • Misoprostol oral foi associado a maiores taxas de presença de mecônio no líquido amniótico, em comparação com ocitocina.
  • Não houve diferença significativa entre misoprostol oral e sublingual, no entanto, na comparação com a administração vaginal,os resultados dependeram da dosagem do misoprostol. Quanto maior a dose do misoprostol oral, maior a taxa de hiperestimulação uterina.

Evidências incluídas nesta revisão

76 ensaios com 14.412 mulheres foram incluídos nesta revisão. A comparação mais comum foi em relação ao misoprostol vaginal (37 ensaios). Outros ensaios compararam misoprostol oral com dinoprostona vaginal, prostaglandina intracervical e ocitocina endovenosa.

Avaliação de qualidade

Havia uma considerável heterogeneidade entre os ensaios clínicos, no entanto, devido ao grande número de estudos incluídos, foi possível realizar a análise dos desfechos. A maior parte dos estudos foram avaliados como tendo risco de viés baixo ou incerto.

Implicações clínicas

Apesar da preocupante hiperestimulação uterina, o misoprostol oral parece ter eficácia comparável à ocitocina. Os achados sugerem apoio ao uso de baixas doses de misoprostol (20-25mcg em solução) para indução do trabalho de parto. O histórico e a situação clínica de cada mulher devem ser cuidadosamente considerados antes do uso da medicação.

Pesquisas futuras

Ensaios futuros poderiam ser desenhados com objetivo de explorar as baixas dosagens de misoprostol, variando entre 20-25mcg. Além disso, estudos qualitativos poderiam ajudar a esclarecer a percepção das mulheres quanto à aceleração do trabalho de parto em contraste aos riscos associados a este tipo de intervenção.


Revisão Cochrane

Citação: Alfirevic Z, Aflaifel N, Weeks A. Oral misoprostol for induction of labour. Cochrane Database of Systematic Reviews 2014,Issue 6. Art. No.: CD001338. DOI: 10.1002/14651858.CD001338.pub3.

Resumo

Misoprostol é uma prostaglandina oralmente ativada. Na maioria dos países, o misoprostol não está licenciado para indução do trabalho de parto, mas seu uso é comum devido ao seu baixo preço e estabilidade térmica.

Avaliar o uso do misoprostol oral para indução do trabalho de parto em mulheres com fetos viáveis.

Foram pesquisados os Registros de Ensaios do Grupo Cochrane de Gravidez e Parto (17 de janeiro de 2014).

Ensaios clínicos randomizados comparando misoprostol oral versus placebo ou outros métodos, ofertados a mulheres com fetos viáveis para indução do trabalho de parto.

Dois autores da revisão avaliaram, de forma independente, os dados dos estudos, usando formulário de dados centralizados.

No total, havia 76 ensaios (14.412 mulheres) com qualidade mista.

Em 12 ensaios comparando misoprostol oral com dinoprostona vaginal (3859 mulheres), as mulheres que receberam misoprostol estiveram menos propensas a precisar de uma cesárea (RR 0,88; 95% IC 0,78 a 0,99; 11 ensaios; 3592 mulheres). Houve alguma evidência de que estas tiveram induções mais lentas, mas sem outras diferenças estatisticamente significativas.

Nove ensaios (1282 mulheres) compararam misoprostol oral com ocitocina endovenosa. A taxa de cesárea foi significativamente menor nas mulheres que haviam recebido misoprostol oral (RR 0,77; 95% IC 0,60 a 0,98; nove ensaios; 1282 mulheres), mas estas tiveram taxa aumentada de presença de mecônio no líquido amniótico (RR 1,65; 95% IC 1,04 a 2,60; sete ensaios; 1172 mulheres).

Trinta e sete ensaios (6417 mulheres) compararam misoprostol oral e vaginal, e não encontraram diferença estatisticamente significativa entre os desfechos primários morbidade neonatal grave/mortalidade ou morbidade materna grave/mortalidade. Os resultados para parto vaginal não alcançado em 24 horas, hiperestimulação uterina com alterações na frequência cardíaca fetal e, cesárea, foram altamente heterogêneos. A hiperestimulação uterina com alterações na frequência cardíaca fetal foi relacionada à dosagem, com taxas mais baixas naquelas com menor dose de misoprostol oral. No entanto, houve um número menor de bebês nascidos com baixo escore de Apgar no grupo de misoprostol oral (RR 0,60; 95% IC 0,44 a 0,82; 19 ensaios; 4009 recém-nascidos), e uma diminuição de hemorragia pós-parto (RR 0,57; 95% IC 0,34 a 0,95; 10 ensaios; 1478 mulheres). No entanto, o grupo de misoprostol oral teve um aumento de presença de mecônio no líquido amniótico (RR 1,22; 95% IC 1,03 a 1,44; 24 ensaios; 3634 mulheres).

Misoprostol oral como agente indutor é efetivo para o alcance do parto vaginal. É mais efetivo que placebo, tão efetivo quanto misoprostol vaginal, e resulta em menos cesárea do que a dinoprostona vaginal ou ocitocina.

Em cenários onde o misoprostol não está licenciado para indução do trabalho de parto, muitos médicos podem preferir usar um produto licenciado como a dinoprostona. Ao usar o misoprostol oral, as evidências sugerem que a dose deve ser estabelecida entre 20 e 25mcg em solução. Dado que a segurança é a intenção principal, as evidência apoiam o uso preferencial do misoprostol oral, em detrimento da administração via vaginal. Isto se torna especialmente importante em situações de alto risco de infecções, e em que a ausência de equipe significa que as mulheres não poderiam ser intensamente monitoradas.