Indução do trabalho de parto em mulheres a termo ou pós-termo

Indução do trabalho de parto em mulheres a termo ou pós-termo

Resumo

Induzir o trabalho de parto (trabalho de parto iniciado artificialmente) é prática cada vez mais comum no mundo todo. Até 25% das mulheres em países desenvolvidos são submetidas à indução, enquanto nos países em desenvolvimento estas taxas são menores, porém crescentes. A indução do trabalho de parto não é um procedimento sem risco e muitas mulheres o consideram desconfortável. Estas diretrizes foram desenvolvidas para promover uma prática de indução de trabalho de parto embasada em evidências e melhorar os resultados maternos e neonatais em todo o mundo.

As recomendações da Organização Mundial de Saúde para Indução do Trabalho de Parto (2011) contêm recomendações acerca do momento, métodos e manejo de eventos adversos relacionados à indução do trabalho de parto.

Recomendação da OMS

Indução do trabalho de parto é recomendada para mulheres que certamente alcançaram 41 semanas (> 40 semanas e 7 dias) de gestação (Evidência de baixa qualidade. Recomendação fraca.)

  • A recomendação acima não se aplica a cenários em que a idade gestacional não possa ser estimada com confiabilidade.
  • As evidências são insuficientes para recomendar indução do trabalho de parto para gestações não complicada antes de 41 semanas.

As evidências para essa recomendação da OMS foram extraídas da revisão Cochrane abaixo:

Gülmezoglu AM, Crowther CA, Middleton
P. Induction of labour for improving birth outcomes for women at or beyond term. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2006, Issue 4. Art. No.: CD004945; DOI: 10.1002/14651858.CD004945.pub2.

Resumo

A continuação da gravidez para além do termo aumenta o risco de morte fetal ou neonatal precoce imediata. O objetivo desta revisão é determinar se uma política de indução do trabalho de parto em idade gestacional pré-determinada pode reduzir este risco aumentado.

Avaliar os benefícios e prejuízos de uma política de indução do trabalho de parto no termo ou pós-termo em comparação com espera do trabalho de parto espontâneo ou indução mais tardia.

Foram pesquisados os registros de ensaios do Grupo Cochrane de Gravidez e Parto (31 de março de 2012).

Ensaios clínicos randomizados conduzidos com mulheres em gestações à termo ou pós-termo. Eram elegíveis os ensaios que comparavam protocolos de indução do trabalho de parto com espera por trabalho de parto de início espontâneo. Ensaios randomizados por conglomerados e de tipo sequencial ("cross-over") não foram incluídos. Não eram elegíveis ensaios com esquema de alocação "quasi-randomizada", como alternância, número de registro de casos ou lista aberta de números aleatórios.

Dois autores da revisão avaliaram os ensaios de forma independente para inclusão nesta revisão. Dois autores da revisão avaliaram a qualidade dos ensaios e fizeram a extração dos dados de forma independente. Os dados foram checados para acurácia. Os desfechos foram analisados em duas categorias principais: idade gestacional e estado do colo do útero.

Foram incluídos 22 ensaios com dados de 9383 mulheres. De maneira geral, os estudos apresentavam moderado risco de viés.

Em comparação com protocolo de conduta expectante, o protocolo de indução do trabalho de parto foi associada com menos mortes perinatais (todas as causas): risco relativo (RR) 0.31, 95% de intervalo de confiança (IC) 0.12 a 0.88; 17 ensaios, 7407 mulheres. Houve uma morte perinatal no grupo de indução do trabalho de parto em comparação com 13 mortes perinatais no grupo de conduta expectante. O número necessário para tratar para obter um benefício (NNTB) com a indução do trabalho de parto a fim de prevenir uma morte perinatal foi de 410 (95% IC 322 a 1492).

Para o desfecho primário de morte perinatal e para a maior parte dos outros desfechos, não foram observadas diferenças nos subgrupos de indução de acordo com a idade gestacional; a maioria dos estudos adotou protocolo de indução com 41 semanas completas (287 dias) ou mais.

Em comparação com o protocolo de conduta expectante, o grupo de indução do trabalho de parto teve menos bebês com síndrome de aspiração do mecônio (RR 0.50, 95% IC 0.34 a 0.73; oito estudos, 2371 recém-nascidos). Em comparação com a conduta expectante, não houve diferença estatisticamente significativa entre as taxas de admissão neonatal em unidade de tratamentos intensivos (UTI-Neo) (RR 0.90, 95% IC 0.78 a 1.04; 10 ensaios, 6161 recém-nascidos). Para mulheres dos grupos de protocolo de indução, houve significativamente menos cesáreas em comparação com a conduta expectante em 21 ensaios com 8749 mulheres (RR 0.89, 95% IC 0.81 a 0.97).

Em comparação com conduta expectante, o protocolo de indução do trabalho de parto está associado com menos mortes perinatais e menos cesáreas. Algumas morbidades infantis, como síndrome de aspiração do mecônio, também foram reduzidas com a política de indução do trabalho de parto em gestação pós-termo, embora não tenha sido observada diferença significativa na taxa de admissão em UTI-Neo.

No entanto, o risco absoluto de morte perinatal é pequeno. As mulheres devem ser aconselhadas adequadamente para garantir uma escolha esclarecida entre o agendamento da indução de gravidez pós-termo ou a monitoração sem indução (ou indução mais tardia).