Indução do trabalho de parto em mulheres com diabetes gestacional

Indução do trabalho de parto em mulheres com diabetes gestacional

Resumo

Indução do trabalho de parto (iniciado artificialmente) está se tornando cada vez mais comum no mundo todo. Até 25% das gestantes em países desenvolvidos são submetidas à indução, enquanto em países em desenvolvimento esta taxa é geralmente mais baixa, mas vem aumentando. Indução do trabalho de parto não é um procedimento sem riscos e muitas mulheres o consideram desconfortável. Estas diretrizes foram desenvolvidas para promover a prática baseada em evidências quanto à indução do trabalho de parto e melhorar os resultados maternos e neonatais no mundo todo.

As recomendações da OMS para Indução do Trabalho de Parto (2011) contêm recomendações quanto ao momento e métodos de indução e manejo dos efeitos adversos relatados.

Recomendação da OMS

Se a diabetes gestacional for a única anomalia, a indução do trabalho de parto antes de 41 semanas de gestação não é recomendada. (Evidência de muito baixa qualidade. Recomendação fraca.)

  • Participantes da consulta técnica da OMS reconhecem que a indução do trabalho de parto pode ser necessária em algumas mulheres com diabetes gestacional – por exemplo, aquelas com insuficiência placentária ou diabetes não controlada.

As evidências para essa recomendação da OMS foram extraídas da revisão Cochrane abaixo:

Boulvain M, Stan CM, Irion O. Elective delivery in diabetic pregnant women. Cochrane Database Syst Rev2001, Issue 2. Art. No.: CD001997; DOI: 10.1002/14651858.CD001997.

Resumo

Em gestações complicadas por diabetes, a maior preocupação durante o terceiro trimestre são relativas ao sofrimento fetal e o potencial de trauma no parto associado à macrossomia fetal.

O objetivo desta revisão foi avaliar o efeito de uma política de parto eletivo em comparação com conduta expectante, em mulheres com diabetes gestacional a termo, sobre a morbidade e mortalidade materna e perinatal.

Foram pesquisados os registros de ensaios do Grupo Cochrane de Gravidez e Parto (24 de julho de 2004). Esta busca foi atualizada em 24 de julho de 2009 e os resultados foram adicionados à seção 'aguardando classificação'.

Todos os ensaios clínicos randomizados disponíveis sobre parto eletivo, tanto por indução do trabalho de parto como por cesárea eletiva, em comparação com conduta expectante para mulheres com diabetes gestacional a termo.

Os relatórios do único ensaio disponível foram analisados de modo independente por três dos co-revisores para recuperar os dados sobre desfechos maternos e perinatais. Os resultados estão expressos como risco relativo (RR) e 95% de intervalo de confiança (IC).

As participantes deste único ensaio incluído nesta revisão eram 200 mulheres com diabetes em uso de insulina. A maioria tinha diabetes gestacional, exceto 13 mulheres que tinham diabetes pré-existente do tipo 2 (classe B). O ensaio comparou uma política de indução ativa do trabalho de parto em 38 semanas completas de gestação com uma conduta expectante até às 42 semanas. O risco de cesárea não foi estatisticamente diferente entre os dois grupos (risco relativo (RR) 0.81, 95% de intervalo de confiança (IC) 0.52 - 1.26). O risco de macrossomia foi reduzido no grupo de indução ativa (RR 0.56, 95% IC 0.32 - 0.98) e foram relatados três casos de distocia de ombro branda no grupo de conduta expectante. Nenhuma outra morbidade perinatal foi relatada.

Os resultados deste único ensaio clínico randomizado, comparando parto eletivo com conduta expectante em gestações a termo de mulheres diabéticas em uso de insulina, mostram que a indução do trabalho de parto reduz o risco de macrossomia. O risco de morbidade materna ou perinatal não foi diferente entre os grupos, mas, dada a raridade da morbidade materna e perinatal, o número de mulheres incluídas não permite o estabelecimento de conclusões robustas. Ensaios futuros devem avaliar as perspectivas das mulheres sobre parto eletivo, seguimento prolongado em atenção à saúde e o tratamento com insulina.