Ultrassonografia para avaliação fetal no início da gravidez

A health worker performs an ultrasound scan on a pregnant woman, Senegal.
Diana Mrazikova/ Networks/ Senegal /Photoshare

Ultrassonografia para avaliação fetal no início da gravidez

Resumo RHL

Resultados principais

A atualização desta revisão revelou que ultrassonografia precoce de rotina (antes de 24 semanas de gestação) foi associado com:

  • Aumento estatisticamente significativo das taxas de detecção de gestações múltiplas e anomalias fetais;
  • Redução estatisticamente significativa de indução do trabalho de parto, devido a melhores cálculos de idade gestacional;
  • Nenhuma redução significativa de: mortes perinatais, resultados adversos para bebês, ou usos dos serviços de saúde;
  • Ausência de efeitos adversos em longo prazo no seguimento de crianças expostas ao escaneamento intra-útero.

Evidências incluídas nesta revisão

Esta revisão incluiu 11 ensaios clínicos envolvendo 37,505 mulheres grávidas, comparando ultrassom seletiva e de rotina antes de 24 semanas de gestação. Os estudos foram conduzidos entre 1984 e 2007, em países de alta renda.

Avaliação de qualidade

Em geral, os ensaios randomizados foram bem projetados e incluíam um grande número de participantes. A qualidade da evidência GRADE foi considerada de moderada à baixa, devido à falta de cegamento, imprecisão dos resultados e presença de heterogeneidade.

Implicações clínicas

O aumento das taxas de detecção de gestações múltiplas, de anomalias fetais em tempo hábil para interrupção legal da gravidez onde esta é possível, e melhor cálculo de idade gestacional com menos indução de trabalho de parto, não resultou em melhores desfechos para os bebês. A falta de dados sobre o impacto econômico é importante, particularmente em ambientes de baixa renda. Não há dados sobre corionicidade, sobre diagnóstico ou manejo de gravidez ectópica, ou aborto.

Pesquisas futuras

Para demonstrar o impacto real sobre desfechos maternos, perinatais e infantis, de curto e longo prazo, são necessários ensaios randomizados atuais, maiores e bem desenhados, que incluam ambientes de baixa e média renda. Ensaios futuros devem avaliar habilidades e competências dos ultrassonografistas, assim como treinamento e controle de qualidade. Também devem incluir informações sobre questões econômicas, quantidade e data das ultrassonografias realizadas pelas gestantes, e a opinião das mulheres sobre o procedimento.


Revisão Cochrane

Citação: Whitworth M, Bricker L, Mullan C. Ultrasound for fetal assessment in early pregnancy. Cochrane Database of Systematic Reviews 2015, Issue 7. Art. No.: CD007058. DOI: 10.1002/14651858.CD007058.pub3.

Resumo

Ultrassonografia diagnóstica é uma sofisticada tecnologia eletrônica, que utiliza ondas sonoras em alta frequência para produção de uma imagem. O exame de ultrassonografia diagnóstica pode ser empregado em uma variedade de circunstâncias específicas durante a gravidez, tal como após complicações clínicas, ou quando há preocupação em relação ao crescimento fetal. Porque resultados adversos também podem ocorrer em gestações sem fatores de risco claros, foram feitas suposições de que ultrassom de rotina em todas as gestações poderia ser benéfico ao permitir detecção precoce e melhor manejo de complicações na gravidez. Rastreamento de rotina pode ser programado para o início ou o final da gravidez, ou ambos. O foco desta revisão é o ultrassom de rotina no início da gravidez.

Avaliar se a avaliação fetal por ultrassom de rotina no início da gravidez (por exemplo, seu emprego como técnica de rastreamento) tem influência sobre diagnósticos de malformação fetal, gravidezes múltiplas, taxa de intervenções clínicas, e a incidência de desfechos fetais adversos, quando comparado com o uso seletivo de ultrassom no início da gravidez (para condições específicas).

Foram pesquisados os registros de ensaios do Grupo Cochrane de Gravidez e Parto (30 de março de 2015) e as listas de referências dos estudos encontrados.

Foram incluídos ensaios clínicos randomizados publicados, não publicados, e em andamento, que comparavam os desfechos em mulheres que foram submetidas a ultrassom no início da gravidez (por exemplo, menos de 24 semanas de gestação) de rotina versus seletivo. Foram incluídos ensaios do tipo quasi-randomizado.

Dois autores da revisão avaliaram os ensaios de forma independente para inclusão e risco de viés, fizeram a extração e checaram a precisão dos dados. O software Review Manager foi utilizado para entrada e análise dos dados.

Ultrassom de rotina / não oculto versus ultrassom seletivo / oculto: 11 ensaios incluindo 37.505 mulheres. Avaliação fetal por ultrassom no início da gravidez reduz a falha em detectar gravidez múltipla às 24 semanas de gestação (risco relativo (RR) 0.77, 95% de intervalo de confiança (IC) 0.03 a 0.17, 295 participantes em 7 ensaios), qualidade das evidências moderada). Ultrassom de rotina pode melhorar a detecção de anormalidades fetais importantes antes das 24 semanas de gestação (RR 3.46, 95% IC 1.67 a 7.14, 387 participantes, 2 ensaios, qualidade das evidências moderada). Ultrassom de rotina está associado com redução da indução de trabalho de parto em gestações "pós-termo" (RR 0.59, 95% IC 0.42 a 0.83, 25.516 participantes, 8 ensaios), mas as evidências relacionadas a este desfecho têm baixa qualidade, porque a maior parte do efeito do agrupamento foi devido aos ensaios de desenho limitado com presença de heterogeneidade (I² = 68%). Avaliação fetal por ultrassom no início da gravidez não tem impacto sobre morte perinatal (definida como natimortalidade após inclusão no ensaio, ou morte neonatal até 28 dias de vida) (RR 0.89, 95% IC 0.70 a 1.12, 25.735 participantes, 10 ensaios, baixa qualidade das evidências). Ultrassom de rotina não aparenta estar associado com reduções nos desfechos adversos em recém-nascidos ou no uso dos serviços pelas mães e recém-nascidos. Seguimento em longo prazo de crianças expostas a ultrassom intra-útero não indica que o exame apresenta efeito deletério sobre o desenvolvimento infantil físico ou cognitivo.

Esta revisão incluiu vários ensaios grandes e bem desenhados, mas a ausência de cegamento foi um problema comum a todos os estudos e isto pode ter efeito sobre alguns dos desfechos. E toda a revisão, a qualidade das evidências foi avaliada para todos os desfechos primários e considerada moderada ou baixa. A avaliação de baixa qualidade se deu pela inclusão de ensaios com desenhos limitados, imprecisão dos resultados e presença de heterogeneidade.

Ultrassom no início da gravidez melhora a detecção precoce de gestações múltiplas e a contagem da idade gestacional melhorada pode resultar em menos induções de trabalho de parto por pós-datismo. É preciso ter cautela na interpretação de alguns aspectos dos resultados desta revisão, dado que houve considerável variabilidade no período de realização dos exames e no número de ultrassonografias a que foram submetidas as mulheres.