Métodos de avaliação fetal para melhorar resultados maternos e neonatais em ruptura prematura de membranas pré-termo

A health worker uses ultrasound equipment during an antenatal examination, Chad.
UNICEF/Esteve

Métodos de avaliação fetal para melhorar resultados maternos e neonatais em ruptura prematura de membranas pré-termo

Resumo RHL

Resultados principais

  • Em geral, os estudos mostraram poucos avanços estatisticamente significativos nos resultados maternos, fetais e neonatais.
  • Não houve aumento estatisticamente significativo no risco de morte neonatal nos grupos de intervenção com ultrassom endovaginal e amniocentese para surfactante pulmonar fetal, comparado com os respectivos grupos controle. Isto pode ser de interesse clínico, mas esta relação não foi cientificamente provada.

Nenhuma metanálise foi conduzida devido à diferença de comparações.

Evidências incluídas nesta revisão

  • ultrassom endovaginal versus nenhuma medida;
  • amniocentese para surfactante pulmonar fetal versus nenhuma medida; e
  • cardiotocografia em repouso diária versus perfil biofísico fetal modificado;

Nenhuma metanálise foi conduzida devido à diferença de comparações.

Implicações clínicas

Devido ao limitado número de estudos, não há dados suficientes para chegar a conclusões robustas quanto aos benefícios e malefícios dos métodos de avaliação fetal para melhorar resultados maternos e neonatais em mulheres com ruptura de membrana prematura pré-termo. Nos ensaios incluídos, poucos dos desfechos reportados foram estatisticamente significativos para quaisquer dos métodos avaliados.

Avaliação de qualidade

Os três estudos tinham baixa qualidade. Em nenhum dos estudos foi possível fazer ocultação da intervenção para as participantes, e um deles não apresentou os dados de vários dos desfechos propostos.

Pesquisas futuras

São necessários mais ensaios controlados randomizados de alta qualidade. Estes ensaios devem coletar informações de uma grande variedade de desfechos maternos, neonatais e fetais.


Revisão Cochrane

Citação: Sharp GC, Stock SJ, Norman JE. Fetal assessment methods for improving neonatal and maternal outcomes in preterm prelabour rupture of membranes. Cochrane Database of Systematic Reviews2014, Issue 10. Art. No.: CD010209. DOI: 10.1002/14651858.CD010209.pub2.

Resumo

Avaliação fetal após ruptura prematura de membranas pré-termo pode resultar em antecipação do parto devido à detecção antecipada de comprometimento fetal. No entanto, a antecipação do parto pode nem sempre ser interessante para o feto ou a mãe, e é incerta a efetividade dos diferentes métodos de avaliação fetal para melhorar os desfechos maternos e perinatais.

Explorar a efetividade dos métodos de avaliação fetal para melhorar resultados maternos e perinatais em casos de ruptura prematura de membranas pré-termo. Exemplos de métodos de avaliação fetal que eram elegíveis para inclusão nesta revisão incluem cardiotocografia fetal, contagem de movimentação fetal e ultrassom Doppler.

Foram pesquisados os registros de ensaios do Grupo Cochrane de Gravidez e Parto (30 de junho de 2014) e as listas de referências dos estudos encontrados.

Ensaios clínicos randomizados comparando quaisquer métodos de avaliação fetal, ou comparando um método de avaliação fetal com nenhuma avaliação.

 

Dois autores da revisão avaliaram os ensaios de forma independente para inclusão nesta revisão. Os mesmo dois autores da revisão avaliaram de forma independente a qualidade dos ensaios e fizeram a extração dos dados de forma independente. Os dados foram checados para acurácia.

Foram incluídos três estudos envolvendo 275 mulheres (foram reportados dados para 271) com ruptura prematura de membranas pré-termo até 34 semanas de gestação. Os três estudos foram conduzidos nos Estados Unidos. Cada estudo investigou um método diferente de avaliação fetal. Um estudo comparou ultrassom endovaginal semanal com nenhuma avaliação (n=93), outro comparou amniocentese com nenhuma avaliação (n=47), e o último comparou com cardiotocografia em repouso diária com perfil biofísico modificado diário (n=135). Não foi possível realizar uma metanálise, mas os dados foram reportados para cada estudo individual.

Não houve evidências convincentes de risco aumentado para morte neonatal no grupo submetido a ultrassom endovaginal em comparação com nenhuma avaliação (risco relativo (RR) 7.30, 95% de intervalo de confiança (IC) 0.39 a 137.54; um estudo, 92 mulheres), ou no grupo submetido a amniocentese em comparação com nenhuma amniocentese (RR 1.00, 95% IC 0.07 a 15.00; um estudo, 44 mulheres). Para estas duas intervenções, inferimos que não houve mortes fetais no grupo intervenção ou no grupo controle. O estudo comparando cardiotocografia em repouso diária com perfil biofísico modificado diário não reportou morte fetal ou neonatal. Desfechos primários de morte materna ou morbidade materna grave não foram reportados em nenhum dos estudos. Em geral, houve pouca diferença estatisticamente significativa nos desfechos entre as comparações.

A qualidade geral das evidências é pobre, dado que não foi possível realizar a ocultação das intervenções para as participantes em nenhum dos estudos.

Não há evidências suficientes para produzir conclusões robustas sobre os benefícios ou malefícios dos métodos de avaliação fetal para melhorar resultados maternos e neonatais em mulheres com ruptura prematura de membranas pré-termo. A qualidade geral das evidências que existem é pobre.

São necessários mais ensaios clínicos randomizados de alta qualidade para guiar a prática clínica.