Capacitação de parteiras tradicionais para melhorar comportamentos saudáveis e desfechos gestacionais

A health worker examines a pregnant woman, Cuba.
WHO/PAHO

Capacitação de parteiras tradicionais para melhorar comportamentos saudáveis e desfechos gestacionais

Resumo RHL

Resultados principais

A revisão avaliou os efeitos da capacitação de parteiras tradicionais (não-profissionais ou leigas) sobre comportamentos saudáveis e desfechos gestacionais. Resultados principais:

Parteiras tradicionais treinadas versus parteiras tradicionais não-treinadas:

  • No grupo de parteiras tradicionais treinadas, as taxas de natimortalidade, mortalidade neonatal e perinatal foram significativamente menores.
  • Um estudo reportou menor mortalidade materna (sem significância estatística) e uma redução estatisticamente significativa de hemorragia pré e pós-parto, sepse puerperal e transferência para qualquer centro de saúde devido à qualquer complicação, no grupo da intervenção.

Parteiras tradicionais com treinamento complementar versus parteiras tradicionais treinadas:

  • Não houve diferença significativa entre os grupos para mortalidade perinatal e neonatal tardia. No entanto, a taxa de mortalidade neonatal foi significativa menor no grupo da intervenção em comparação com o grupo controle.
  • Metanálise de natimortalidade e mortalidade neonatal precoce não encontrou diferença significativa.

Evidências incluídas nesta revisão

Seis ensaios randomizados (dois) e por conglomerados (quatro) envolvendo mais de 1345 parteiras tradicionais, mais de 32.000 mulheres e aproximadamente 57.000 nascimentos foram incluídos nesta revisão; Os ensaios foram conduzidos na África Subsaariana e sul da Ásia.

Avaliação de qualidade

Usando a abordagem GRADE, a qualidade das evidências incluídas foram avaliadas como de natureza mista, com vários estudos apresentando problemas de viés de atrito. Nenhum dos estudos realizou ocultação da intervenção. A maioria dos desfechos foi relatada em apenas um ensaio, com risco de viés alto ou indeterminado, com exceção dos dois únicos desfechos sobre os quais a metanálise pode ser realizada (natimortalidade e morte neonatal precoce) com risco de viés baixo ou indeterminado. Portanto, os resultados devem ser interpretados com cautela.

Implicações clínicas

O treinamento de parteiras tradicionais pode ser o único modo de otimizar o uso de prestadores de cuidados de nível comunitário para a saúde materna e neonatal, em locais com número insuficiente de parteiras profissionais ou com acesso limitado a serviços de saúde, além das mulheres preferirem o atendimento de parteiras tradicionais.

Pesquisas futuras

A revisão destaca a necessidade de grandes estudos de alta qualidade que incluam desfechos maternos e neonatais relevantes como métodos de treinamento, supervisão, melhor avaliação dos desfechos de saúde, com contraste suficiente entre os grupos de intervenção e controle, de forma a avaliar adequadamente os efeitos do treinamento de parteiras não-profissionais sobre os desfechos gestacionais.


Revisão Cochrane

Citação: Sibley LM, Sipe TA, Barry D. Traditional birth attendant training for improving health behaviours and pregnancy outcomes. Cochrane Database of Systematic Reviews 2012, Issue 8. Art. No.: CD005460. DOI: 10.1002/14651858.CD005460.pub3.

Resumo

Entre os anos de 1970 e 1990, a Organização Mundial da Saúde promoveu o treinamento de parteiras não-profissionais como uma estratégia de redução da mortalidade materna e neonatal. Atualmente, as evidências que apoiam o treinamento de parteiras leigas são limitadas, mas promissoras para alguns desfechos de mortalidade.

Avaliar os efeitos do treinamento de parteiras tradicionais sobre comportamentos saudáveis e desfechos gestacionais.

Foram pesquisados os Registros de Ensaios do Grupo Cochrane de Gravidez e Parto (18 de junho de 2012), os alertas de citação para o nosso trabalho e as listas de referências para os estudos identificados na busca.

Foram pesquisados ensaios clínicos randomizados (ECRs) publicados ou não, comparando parteiras tradicionais não-treinadas versus parteiras tradicionais treinadas, parteiras tradicionais com treino complementar versus parteiras tradicionais treinadas, ou mulheres que foram atendidas ou vivem em áreas cobertas pelas parteiras tradicionais.

Três autores avaliaram a qualidade dos estudos, de forma independente, e extraíram os dados na revisão original e em sua primeira atualização. Três autores e um revisor externo avaliaram a qualidade dos estudos, de forma independente, e dois autores extraíram os dados da segunda atualização da revisão.

Foram incluídos nesta revisão seis estudos envolvendo mais de 1345 parteiras tradicionais, mais de 32.000 mulheres e aproximadamente 57.000 nascimentos, que avaliaram os efeitos do treinamento de parteiras não-profissionais para parteiras treinadas versus não-treinadas (um estudo), e parteiras com treinamento complementar versus parteiras treinadas (cinco estudos). Estes estudos são ensaios randomizados de nível individual (dois estudos) e por conglomerados (quatro estudos). Os desfechos primários nesta amostragem de estudos foram morte perinatal, natimortalidade e morte neonatal (precoce, tardia e em geral).

Parteiras tradicionais treinadas versus não-treinadas: um ensaio randomizados por conglomerados encontrou uma taxa de morte perinatal significativamente menor no conglomerado de parteiras com treinamento (razão de chances (odds ratio) ajustada (OR) 0,70; 95% de intervalo de confiança (IC) 0,59 a 0,83), menor taxa de natimortalidade (OR ajustada 0,69; 95% IC 0,57 a 0,83) e menor taxa de morte neonatal (OR ajustada 0,71; 95% IC 0,61 a 0,82). Este estudo também encontrou menor mortalidade materna mas não significativa (OR ajustada 0,74; 95% IC 0,45 a 1,22).

Parteiras tradicionais com treinamento complementar versus parteiras tradicionais treinadas: três grandes ensaios randomizados por conglomerados compararam parteiras leigas que receberam treinamento adicional sobre primeiros passos para ressuscitação, incluindo ventilação com bolsa-válvula-máscara, versus parteiras leigas que tiveram treinamento básico em cuidado ao parto limpo e seguro, e cuidado neonatal imediato. O treinamento básico incluiu ressuscitação boca-a-boca (dois estudos) ou com bolsa-válvula-máscara (um estudo). Não houve diferença significativa em mortalidade perinatal entre os conglomerados de intervenção e controle (um estudo; OR ajustada 0,79; 95% IC 0,61 a 1,02) e também sem diferença significativa entre os grupos para mortalidade neonatal tardia (um estudo; risco relativo (RR) ajustado 0,47; 95% IC 0,20 a 1,11). A taxa de mortalidade neonatal, no entanto, foi 45% menor no grupo intervenção em comparação com o conglomerado controle (um estudo; 22,8% versus 40,2%; RR ajustado 0,54; 95% IC 0,32 a 0,92).

Nós conduzimos uma metanálise sobre dois desfechos: natimortalidades e morte neonatal precoce. Não houve diferença significativa entre os grupos de parteiras com treinamento complementar versus parteiras treinadas sobre natimortalidade (dois estudos; RR médio ajustado 0,99; 95% IC 0,76 a 1,28) ou sobre taxa de mortalidade neonatal precoce (três estudos; RR médio ajustado 0,83; 95% IC 0,68 a 1,01).

Os resultados são promissores para alguns desfechos (morte perinatal, natimortalidade e morte neonatal). No entanto, a maioria dos desfechos só foi reportada em apenas um estudo. A ausência de contraste no treinamento dos conglomerados de intervenção e controle pode ter contribuído para o resultado nulo sobre natimortalidade, e o número insuficiente de estudos pode ter contribuído para o não alcance de significância sobre os óbitos neonatais precoces. Apesar dos estudos adicionais que foram incluídos na atualização da revisão sistemática, permanece a insuficiência de evidência para estabelecer o potencial do treinamento de parteiras tradicionais em melhorar as taxas de mortalidade peri-neonatal.

Este resumo RHL deve ser citado como: WHO Reproductive Health Library. Traditional birth attendant (TBA) training for improving health behaviours and pregnancy outcomes: RHL summary (last revised 21 April 2016). The WHO Reproductive Health Library; Geneva: World Health Organization.