Antibiótico intraparto para gestantes colonizadas por estreptococo do Grupo B

Antibiótico intraparto para gestantes colonizadas por estreptococo do Grupo B

RHL summary

Resultados da revisão: Esta revisão teve por objetivo verificar os efeitos de antibióticos intraparto na mortalidade por qualquer causa em gestantes colonizadas por estreptococos do Grupo B hemolíticos (EGB). Foram incluídos quatro estudos de qualidade moderada publicados 20 anos atrás (envolvendo 852 mulheres). Três estudos avaliaram o uso de ampicilina e outro, penicilina, em comparação com ausência de tratamento. Não foi usado grupo placebo em nenhum dos ensaios. Não houve efeito estatisticamente significativo de antibióticos intraparto na incidência de mortalidade por qualquer causa, mortalidade por infecção por EGB ou outras infecções, instalação tardia de infecção por EGB, sepse neonatal, meningite neonatal, infecção do trato urinário ou pneumonia neonatais bem como sepse materna no período peri/pós-parto. A incidência de infecção precoce por EGB foi reduzida com antibióticos intraparto quando comparados ao não tratados (número necessário para tratar para beneficiar 25). Um estudo (352 mulheres) comparando ampicilina e penicilina não encontrou diferença nos resultados maternos e neonatais.

Implementação: Baseados nos estudos que incluíram várias deficiências, antibióticos intraparto reduzem a taxa de infecção precoce por EGB. Os autores desta revisão estipularam que os resultados devem ser tratados com grande cautela dado o alto risco de viés e sugeriram que o assunto seja adequadamente investigado em estudos duplos cegos randomizados. Os autores mencionam que a oportunidade para conduzir tais estudos talvez tenha sido perdida devido à alta adesão às diretrizes que recomendam antibiótico intraparto mesmo sem evidências suficientes para sustentar tal recomendação. Entretanto, estudos sobre este tópico possam ser viáveis em países em desenvolvimento onde esta prática não é bem implementada.


Revisão Cochrane

Citação: Ohlsson A, Shah VS. Intrapartum antibiotics for known maternal Group B streptococcal colonization.Cochrane Database of Systematic Reviews 2014, Issue 6. Art. No.: CD007467. DOI: 10.1002/14651858. CD007467.pub4.

Resumo

Colonização materna por estreptococos do grupo B (EGB) durante a gestação aumenta o risco de infecção neonatal por transmissão vertical. A administração de profilaxia antibiótica intraparto (PAI) durante o trabalho de parto tem sido associada a uma redução da infecção neonatal precoce pelo EGB. No entanto, o tratamento de todas as mulheres colonizadas durante o trabalho de parto expõe um grande número de mulheres e crianças a possíveis efeitos adversos sem benefícios.

Avaliar o efeito de antibiótico intraparto em gestantes colonizadas por estreptococos do Grupo B hemolíticos (EGB) sobre a mortalidade por qualquer causa, devido a infecção pelo EGB e por outros organismos além do EGB.

A busca no registro de ensaios do Grupo Cochrane de Gravidez e Parto foi atualizada em 11 de março de 2014.

Foram incluídos ensaios randomizados de avaliação do impacto da PAI materna sobre infecção neonatal por EGB.

A elegibilidade e qualidade dos estudos foram avaliadas de forma independente.

Não foram identificados novos ensaios na busca atualizada, assim, os resultados foram mantidos sem alteração, como a seguir.

Foram incluídos quatro ensaios envolvendo 852 mulheres.

Foram incluídos três ensaios (com 500 mulheres) avaliando os efeitos da PAI versus ausência de tratamento. O uso da PAI não reduziu de modo significativo a incidência de todas as causas de mortalidade, mortalidade por infecção pelo EGB ou infecções causadas por outras bactérias além do EGB. A incidência de infecção precoce pelo EGB foi reduzida com a PAI em comparação com ausência de tratamento (risco relativo (RR) 0,17; 95% de intervalo de confiança (IC) 0,04 a 0,74; três ensaios; 488 crianças; diferença de risco -0,04; 95% IC -0,07 a -0,01; número necessário para tratar e beneficiar 25; 95% IC 14 a 100; I² 0%). A incidência de infecção neonatal tardia, ou sepse por organismos outros que não o EGB, e infecção puerperal, não tiveram diferenças significativas entre os grupos.

Um ensaio (envolvendo 352 mulheres) comparou ampicilina versus penicilina intraparto e reportou não ter encontrado diferença significativa nos desfechos maternos e neonatais.

Foi encontrando um alto risco de viés para uma ou mais das questões fundamentais da metodologia e execução dos estudos.

A profilaxia antibiótica intraparto parece reduzir infecção precoce por EGB, mas este resultado pode ter influência de viés, dado que foi encontrado um alto risco de viés para questões fundamentais da metodologia e execução do estudo. Há uma lacuna de evidências oriundas de ensaios bem desenhados e conduzidos para que seja possível a recomendação de PAI para a redução de infecção neonatal precoce por EGB.

Idealmente, a efetividade da PAI em reduzir infecção neonatal por EGB deve ser estudada em ensaio clínico duplo cego com tamanho amostral adequado. A oportunidade de conduzir tais ensaios pode ter sido perdida, já que diretrizes clínicas para sua implementação (mesmo com ausência de boas evidências) já foram inseridas em muitos cenários.