Hospitalização para repouso durante gravidez múltipla

Hospitalização para repouso durante gravidez múltipla

Resumo RHL

Resultados da revisão: Esta revisão visa responder se a hospitalização para repouso de mulheres com gravidez múltipla tem algum efeito sobre a prematuridade ou outros resultados fetais, neonatais e maternos. Esta revisão inclui sete ensaios clínicos de alta qualidade (713 mulheres e 1452 recém nascidos) realizados na Austrália, Finlândia e Zimbábue. A recomendação de hospitalização para repouso em gravidez múltipla não reduziu risco de prematuridade ou mortalidade perinatal. Houve considerável heterogeneidade acerca de dois resultados: natimortalidade e morte perinatal. O número de recém-nascidos com baixo peso ao nascer (menos de 2500g) foi menor no grupo que sofreu intervenção, embora esse resultado não tenha alcançado significado estatístico. Não houve melhora de resultados secundários como Apgar baixo (<7), necessidade de admissão e permanência em UTI neonatal por 7 dias ou mais, desenvolvimento de hipertensão e realização de cesárea. Somente um estudo apresentou dados sobre a satisfação das mulheres com a internação para repouso: 18% consideraram a internação “psicologicamente estressante”, e 6 % avaliaram positivamente a hospitalização. Não foi observada diferença nos resultados maternos ou neonatais em mulheres com: gravidez gemelar não complicada, dilatação cervical anterior ao parto e gravidez trigemelar.

Implicações clínicas: Não há evidência suficiente para recomendar repouso hospitalar de rotina para mulheres com gravidez múltipla.


Revisão Cochrane

Citação: Crowther CA, Han S. Hospitalisation and bed rest for multiple pregnancy.Cochrane Database of Systematic Reviews 2010, Issue 7. Art. No.: CD000110. DOI: 10.1002/14651858.CD000110. pub2.10.pub2

Resumo

Repouso no leito costumava ser amplamente recomendado para mulheres com gestações múltiplas.

O objetivo foi avaliar o efeito da hospitalização para repouso em mulheres com gestações múltiplas para a prevenção de parto prematuro e outros resultados fetais, neonatais e maternos.

Foram pesquisados os Registros de Ensaios do Grupo Cochrane de Gravidez e Parto (Maio de 2010).

Foram incluídos ensaios randomizados que comparam desfechos em mulheres com gestações múltiplas e seus bebês às quais foram oferecida hospitalização para repouso, em comparação com mulheres que foram hospitalizadas somente em decorrência de complicações.

Dois autores da revisão realizaram a avaliação para inclusão e risco de viés. Os dados foram extraídos e tiveram dupla entrada, usando um modelo de efeitos aleatórios.

Foram incluídos sete ensaios que envolveram 713 mulheres e 1452 bebês. A rotina de hospitalização para repouso para gestação múltipla não reduziu o risco de parto prematuro, ou a mortalidade perinatal. Houve uma importante heterogeneidade quanto a morte perinatal e natimortalidade inexplicadas pela qualidade do ensaio. Há uma sugestão de diminuição no número de crianças com baixo peso ao nascer (menos que 2500g) dentre as mulheres do grupo de hospitalização de rotina (risco relativo (RR) 0,92; 95% de intervalo de confiança (IC) 0,85 a 1,00). Não foram observadas diferenças no número de crianças com muito baixo ao nascer (menos de 1500g). Nenhum suporte para esta prática foi encontrada em outros desfechos neonatais. Não estavam disponíveis informações sobre desfechos de desenvolvimento infantil, em nenhum dos ensaios.

Não foram observadas diferenças para os desfechos maternos secundários de desenvolvimento de hipertensão e cesárea. As percepções das mulheres sobre o cuidado recebido foram escassamente reportados.

Na análise de subgrupo para mulheres com gestações gemelares sem complicações, com dilatação cervical anterior ao trabalho de parto e com gestação trimelar, não foram observadas diferenças em nenhum dos desfechos maternos e neonatais, primários e secundários.

Atualmente não há evidências suficientes para apoiar uma política de hospitalização para repouso de rotina para gestação múltipla. Não está evidente a redução no risco de nascimento pré-termo ou morte perinatal, embora exista a sugestão de melhora no crescimento fetal. Para mulheres com gravidez gemelar não complicada, os resultados desta revisão mostram que não há benefício na hospitalização para repouso. Até que evidências futuras estejam disponíveis, esta prática não pode ser recomendada como rotina clínica.