Atenção pré-natal individual versus em grupo

Pregnant women in the waiting room of an antenatal clinic in Cuba.
WHO/PAHO

Atenção pré-natal individual versus em grupo

Resumo RHL

Resultados principais

Entre as mulheres que receberam atenção pré-natal em grupo ou individual, não houve diferenças significativas quanto à nascimento prematuro, baixo peso ao nascer, pequenos para a idade gestacional e mortalidade perinatal, admissão em UTI Neonatal e iniciação da amamentação. As mulheres que receberam cuidados pré-natais em grupo tinham escore de satisfação média maior em relação às que fizeram pré-natal padrão.

Evidências incluídas nesta revisão

Esta avaliação incluiu quatro estudos dos EUA (2), Suécia (1) e Irã (1) com 2350 mulheres. Dois estudos foram avaliados como tendo uma qualidade aceitável, enquanto os outros dois estudos foram avaliados como sendo de boa qualidade.

Avaliação de qualidade

A qualidade das evidências foi avaliada utilizando GRADE, e classificada como de alta qualidade para a satisfação com o atendimento pré-natal, qualidade moderada para o nascimento prematuro, baixo peso ao nascer, admissão em UTI Neonatal e início da amamentação, e baixa qualidade para a mortalidade perinatal.

Implicações clínicas

A evidência disponível não é suficiente para recomendar grupo de cuidados pré-natais em relação a outros modelos. No entanto, nos estudos disponíveis, as mulheres parecem estar mais satisfeitas com o grupo de cuidados pré-natais.

Pesquisas futuras

São necessários estudos randomizados para avaliar a efetividade e segurança do grupo de cuidados pré-natais.


Revisão Cochrane

Citação: Catling CJ, Medley N, Foureur M, Ryan C, Leap N, Teate A, Homer CSE. Group versus conventional antenatal care for women. Cochrane Database of Systematic Reviews 2015, Issue 2. Art. No.: CD007622. DOI: 10.1002/14651858.CD007622.pub3.

Resumo

A atenção pré-natal é um dos principais serviços de prevenção em saúde utilizados no mundo todo. Na maioria dos países ocidentais, a atenção pré-natal tradicionalmente envolve o agendamento de consultas individuais com profissionais de saúde. Um jeito diferente de oferecer cuidado pré-natal envolve o uso de modelos em grupo.

  • Comparar os efeitos de pré-natal em grupo versus pré-natal convencional sobre desfechos psicossociais, fisiológicos, de trabalho de parto e nascimento para mulheres e suas crianças.
  • Comparar os efeitos de pré-natal em grupo versus cuidado convencional sobre a satisfação dos provedores do cuidado.

Foram pesquisados os registros de ensaios do Grupo Cochrane de Gravidez e Parto (31 de outubro de 2014), contactados especialistas no campo e revisadas as listas de referências dos estudos encontrados.

Foram incluídos todos os ensaios clínicos randomizados e quasi-randomizados identificados, publicados, não publicados e em andamento, que comparavam pré-natal em grupo com cuidado convencional. Ensaios randomizados por conglomeradas eram elegíveis, e um destes foi incluído. Não eram elegíveis ensaios de tipo sequencial ("cross-over").

Dois revisores avaliaram os ensaios de forma independente para inclusão e risco de viés e fizeram a extração dos dados. Todos os autores da revisão checaram a precisão dos dados.

Foram incluídos quatro estudos (2350 mulheres). O risco de viés geral para os estudos incluídos foi avaliado como aceitável em dois ensaios e bom nos outros dois. Não foram observadas diferenças estatisticamente significativas entre as mulheres que receberam pré-natal em grupo em relação aquelas que tiveram cuidado pré-natal padrão para o desfecho primário de parto prematuro (risco de relativo (RR) 0.75, intervalo de confiança de 95% (IC) 0.57 a 1.00; três ensaios; N= 1888). A proporção de bebês com baixo peso ao nascer (mens de 2500 g) foi similar entre os grupos (RR 0.92, 95% IC 0.68 a 1.23; três ensaios; N=1935). Não foram observadas diferenças entre os grupos para os desfechos primários de bebê pequeno para a idade gestacional (RR 0.92, 95% IC 0.68 a 1,24; dois ensaios; N= 1473) e mortalidade perinatal (RR 0.63, 95% IC 0.32 a 1.25; três ensaios; N= 1943).

Satisfação materna foi classificada como alta entre as mulheres alocadas para o pré-natal em grupo, mas este desfecho só foi medido em um ensaio. Neste ensaio, a satisfação média com o cuidado pré-natal em grupo foi quase cinco vezes maior do que aquela repostada pelas mulheres alocadas para o cuidado pré-natal padrão (diferença média 4.90, 95% IC 3.10 a 6.70; um estudo; N= 993). Não foram observadas diferenças entre os grupos para admissão neonatal em unidade de cuidados intensivos, início do aleitamento materno ou parto vaginal espontâneo. Vários desfechos relativos a estresse e depressão foram reportados em um ensaio. Para estes desfechos, não foram observadas diferenças entre os grupos.

Não estavam disponíveis dados sobre os efeitos do pré-natal em grupo para a satisfação dos provedores do cuidado.

Para avaliar a qualidade das evidências, foi utilizada a abordagem GRADE (da sigla em inglês para Graus de Recomendação, Qualidade, Desenvolvimento e Avaliação) para sete desfechos pré-especificados; os resultados variaram de baixa qualidade (mortalidade perinatal), qualidade moderada (parto prematro, baixo peso ao nascer, admissão neonatal em unidade de cuidados intensivos, início do aleitamento materno), a alta qualidade (satisfação com o cuidado pré-natal, parto vaginal espontâneo).

As evidências disponíveis sugerem que a atenção pré-natal em grupo é vista como positiva pelas mulheres e não está associada a desfechos desfavoráveis para as mulheres ou para seus bebês. Para as mulheres que receberam cuidado pré-natal em grupo, não foram reportadas diferenças nas taxas de nascimento pré-termo. Esta revisão fica limitada pelo pequeno número de estudos e mulheres incluídas, e porque um dos estudos contribuiu com 42% das mulheres. A maioria das análises tiveram como base um único estudo. Pesquisas adicionais são necessárias para determinar se a atenção pré-natal em grupo está associada com benefícios significativos em termos de nascimentos prematuros ou peso ao nascer.