Estratégias para comunicação da efetividade de contraceptivos

A couple attending a family planning counseling session in Nigeria.
Photoshare/Akintunde Akinleye

Estratégias para comunicação da efetividade de contraceptivos

Resultados da revisão: Esta revisão comparou o valor de estratégias para a comunicação da efetividade de métodos contraceptivos em mulheres ou casais. Foram incluídos sete ensaios clínicos randomizados (4526 mulheres): dois ensaios ofereceram múltiplas sessões educativas, e os outros cinco ofereceram uma sessão com foco principal no uso de recursos educacionais. As medidas de resultados incluíam conhecimento, atitudes e escolha ou uso de contraceptivos. Várias abordagens foram examinadas, incluindo recursos educacionais audiovisuais (ex: vídeos e quadros representando efetividade e/ou taxa de gravidez), cartazes, aconselhamento em grupo ou individual e grupos de discussão. Em um dos ensaios que ofereceu múltiplas sessões educacionais, sessões mais freqüentes levaram a uma melhor aceitação da esterilização ou de um contraceptivo moderno. Um estudo que ofereceu uma sessão única mostrou que apresentações audiovisuais resultaram em maior ganho de conhecimento em comparação com aconselhamento por médicos. Um estudo mostrou que a compreensão dos participantes foi melhor com o uso de cartazes que comparavam taxa de gravidez com cada categoria de método contraceptivo. Nenhuma das ferramentas educativas tinha base teórica explícita. Dadas as variações das intervenções, das medidas de resultado, da composição e seguimento dos participantes, e dos ambientes de estudo, os autores não conseguiram obter conclusões significativas acerca de qual estratégia possa ser mais efetiva. A qualidade geral da evidência provida por estes estudos foi baixa.

Implementação: A comunicação sobre a efetividade dos métodos contraceptivos é fundamental para que mulheres e casais possam realizar escolhas bem informadas. Atualmente não há evidência para sugerir que uma estratégia de aconselhamento seja melhor que outra. São necessários estudos melhor elaborados e descritos para orientar a prática dos profissionais de saúde.


Revisão Cochrane

Citação: Lopez LM, Steiner M, Grimes DA, Hilgenberg D, Schulz KF. Strategies for communicating contraceptive effectiveness.Cochrane Database of Systematic Reviews 2013, Issue 4. Art. No.: CD006964. DOI: 10.1002/14651858.CD006964.pub3

Resumo

Conhecimento sobre a efetividade dos contraceptivos é crucial para a realização de escolhas bem informadas. O usuário/paciente deve compreender os prós e contras dos métodos contraceptivos em consideração. A escolha pode ser influenciada pelo entendimento da probabilidade de gestação (taxa de falha) de cada método e os fatores que impactam em sua efetividade.

Revisão todos os ensaios clínicos randomizados comparando estratégias de comunicação com pacientes sobre a efetividade dos métodos contraceptivos em prevenir uma gravidez.

Durante o mês de fevereiro de 2013, foram pesquisadas as seguintes bases de dados computadorizadas: MEDLINE, POPLINE, CENTRAL, PsycINFO e CINAHL, ClinicalTrials.gov, e ICTRP. As buscas anteriores também incluíram o EMBASE. Também foram examinadas as listas de referências de estudos relevantes. Para revisão inicial, os autores escreveram para pesquisadores notáveis em busca de informações sobre outros ensaios publicados ou não.

Foram incluídos ensaios clínicos randomizados que compararam métodos de comunicação de efetividade contraceptiva para pacientes. A comparação poderia ser prática usual ou uma alternativa à intervenção experimental.

As medidas de desfecho foram conhecimento sobre efetividade contraceptiva, atitude de contracepção ou em relação especial a algum contraceptivo, e escolha e uso de método contraceptivo.

Para a revisão inicial, dois autores fizeram a extração dos dados, de forma independente. Um autor inseriu os dados no software RevMan, e um segundo autor verificou a acurácia dos dados. Para a atualização da revisão, um autor e um pesquisador associado realizaram a extração, inserção e verificação dos dados.

Para variáveis dicotômicas, foi calculada a razão de chances (odds ratio, OR) de Mantel-Haenszel com 95% de intervalo de confiança (IC). Para resultados contínuos, foi computada a diferença média (DM) com 95% de IC.

Sete ensaios atenderam aos critérios de inclusão e incluíam um total de 4526 mulheres. Cinco eram estudo multicêntricos. Quatro ensaios foram conduzidos nos EUA, enquanto Nigéria e Zâmbia foram representadas por um estudo cada, e um ensaio foi realizando na Jamaica e na Índia.

Dois ensaios ofertaram sessões múltiplas para os participantes. Em um estudo que examinou escolha contraceptiva, as mulheres no programa expandido estiveram mais propensas a escolher a esterilização (OR 4,26; 95% IC 2,46 a 7,37) ou usar um método contraceptivo moderno (OR 2,35; 95% IC 1,82 to 3,03), por exemplo, esterilização, pílula, injeção, dispositivo intrauterino ou método de barreira. No outro estudo, os grupos receberam intervenções educacionais com diferentes formatos e intensidade. Ambos os grupos apresentaram aumentos no uso de contraceptivos, mas não tiveram diferenças significativas aos seis quanto ao uso consistente de um contraceptivo efetivo, por exemplo, esterilização, DIU, injeção, implante, e uso consistente de contraceptivos orais, diafragma ou preservativos masculinos.

Cinco ensaios ofereceram uma sessão com foco na testagem de materiais ou recursos educativos. Em um estudo, a aquisição de conhecimento favoreceu uma apresentação multimídia (slides e som) em detrimento de apresentação oral realizada por médico (DM -19,00; 95% IC -27,52 a -10,48). Em outro ensaio, uma tabela com categorias de efetividade contraceptiva propiciou maior número de respostas corretas do que uma tabela embasada no número de gestações [ORs foram 2,42 (95% IC 1,43 a 4,12) e 2,19 (95% IC 1,21 a 3,97)], ou que uma tabela com categorias de efetividade e número de gestações [ORs foram 2,58 (95% IC 1,5 a 4,42) e 2,03 (95% IC 1,13 a 3,64)]. Ainda, outro estudo forneceu aconselhamento estruturado com um cartaz sobre métodos contraceptivos. A intervenção e os grupos de cuidado típico não tiveram diferença significante para escolha do método contraceptivo (por categoria de efetividade) ou em continuação do método escolhido aos três meses. Por fim, um estudo com casais usou vídeos para a comunicação de informações contraceptivas (controle, motivacional, métodos contraceptivos, e vídeos ambos motivacional e de métodos). As análises mostraram nenhuma diferença significativa entre os grupos quanto aos tipos de contraceptivos escolhidos.

Estes ensaios tiveram grande variação nos tipos de participantes e intervenções de comunicação da efetividade contraceptiva. Portanto, não é possível dizer, de uma forma geral, o que poderia ajudar pacientes na escolha de um método contraceptivo apropriado. Por apresentar dados de risco de gravidez/taxa de falha, um ensaio mostrou que categorias de efetividade seriam melhores do que números de gestação. Em outro ensaios, recursos audiovisuais tiveram melhores resultados do que apresentação oral típica. Estratégias devem ser testadas no contexto clínico e ter medidas de seus efeitos sobre escolhas contraceptivas. Relatórios mais detalhados sobre o conteúdo das intervenções poderiam ajudar na interpretação dos resultados. Relatórios também poderiam incluir se os instrumentos utilizados para avaliar conhecimento ou atitudes foram previamente testados para validação e confiabilidade. Seguimento de pacientes deveria ser incorporado para avaliar a retenção do conhecimento ao longo do tempo. A qualidade geral das evidências foi considerada baixa para esta revisão, dado que cinco dos sete estudos tinham evidências de qualidade baixa ou muito baixa.